Assistir ao casamento de um(a) amigo(a), confesso que é aquele tipo de convite que eu dispenso. Se pensar, então, nos casamentos em que estive presente e que, na sua maioria, já avançaram para divórcio, ainda menos vontade tenho de ir.
É, de facto, um dia para esquecer: levantar cedo, bem cedo, para esperar horas na cabeleireira para nos fazer um daqueles penteados apinocados que me fazem sentir uma perua autêntica! Depois vestir aquele vestido que demorei séculos a escolher e calçar um sapatinho novo, de salto, de que mais tarde me irei arrepender (oh se irei). Depois é ir visitar a noiva que, não sei porquê, faz sempre muita questão que passes lá por casa para a veres e lhe transmitires quão bonita está (enfiada naquele vestido de noiva que custou uma pipa de massa, que só serve para um dia e o bonito é muito discutível). E depois cumprimentar carradas de gente que não conheces de lado nenhum mas que te sorriem e comentam a escolha da noiva como se fossemos todos grandes amigos!
Depois, alguém te dá aquela fita de tule maravilhosa para pores no carro. Um ritual que nunca percebi e, em seguida, partes em caravana para a igreja. A festa está só a começar.
Assistes à missa: o discurso do Padre – este último que assisti foi uma seca descomunal – a choradeira da noiva, da mãe da noiva, da mãe do noivo e de algumas tias que, finalmente, vêem a sua menina (35 anos) a casar.
Finda a cerimónia, aquele banho maravilhoso de arroz, pétalas de rosas e outras flores; os beijos, os parabéns histéricos, mais beijos e que lindo vestido e que ramo tão lindo e como foi bonita a missa, etc, etc… Meu Deus, digo eu! Segue-se a foto de grupo e mais fotos com os familiares e mais fotos não sei de quê. Entretanto, as dores nos meus pés começam e penso que não deveria ter comprado uns sapatos de salto!
Depois de umas longas horas, a coisa prossegue no local do copo de água: aquele cenário típico e mais uma vez: está tudo tão giro! Que escolha fantástica! Não podias ter escolhido melhor sítio! A mim o cenário parece-me dejá vu, só muda o local.
As entradas, mais fotos e o banquete (em que eu aproveito para tirar discretamente os sapatos que já me massacraram os pés), as conversas de circunstância, aquela mesa mais animada em que os amigos do noivo fazem umas quantas palhaçadas. Enfim! Ah! Não podemos esquecer as lembranças inúteis que os noivos oferecem com muita simpatia e que nunca sei o que fazer com aquilo. Muitas horas depois vem a valsa dos noivos, o bailarico, aquela quantidade astronómica de doces e um formigueiro de gente à volta da mesa, não vão os doces acabar! Por esta altura já estou a pensar na melhor maneira de me pisgar dali! É agora ou nunca, digo para mim mesma! Já não aguento esperar para o bolo da noiva e saio, de mansinho. São 11 horas da noite. Aqui está o retrato de um casamento clássico. Bolas, assim não quero, acreditem!