sexta-feira, novembro 24, 2006

Se o tempo voltasse atrás…

Todos nós, já recebemos e-mails com mensagens lindas, que nos incentivam a estar com as pessoas que gostamos, a dizer o que sentimos, hoje, porque amanhã pode ser tarde! Irremediavelmente tarde! Ficamos sensibilizados com estas mensagens mas, por uma razão ou por outra, não pomos em prática. Erro tremendo. Aconteceu-me o pior, o que eu não esperava, hoje acordei com a terrível notícia de ter perdido uma amiga, vítima de doença prolongada. Quantas vezes, nos últimos tempos, o nosso grupo falou em jantar com ela, mas pela estúpida correria do dia a dia, pelo tempo que nos foge, por falta de oportunidade… sei lá, pela falta não sei bem de quê, esse encontro não aconteceu. E já não vai acontecer! Hoje lembrei-me dessa mensagens, hoje lembrei-me da importância do “fazer agora”. Perdi a oportunidade de dar aquele abraço, de ver aquele sorriso. Não pude despedir-me da minha amiga! Estou revoltada comigo.

segunda-feira, novembro 20, 2006

O tipo que não nos conhece...

Fui ao cinema com o meu namorado. Desta vez, mesmo sem o nosso pedido expresso, o rapaz que nos atendeu sentou-nos a meio da sala, nas filas mais para trás. Eu comentei o facto com ele:
_ Viste? Já nem é preciso dizer-lhes que queremos os lugares a meio da sala, nas filas a partir do meio para trás. É o que faz sermos clientes habituais!
Resposta dele:
_ Não! Este nem nos conhece! Nunca o vi cá. Deve ser a primeira semana dele a trabalhar aqui.
Eu disse-lhe que não, que ele nos conhecia. Até insisti. Afinal aquele era o empregado que, quando eu lá fui sozinha um dia, tentou “armar-se em engraçadinho”…Mas o meu namorado insistiu que ele não nos conhecia e eu deixei-o acreditar nisso. Sempre fica mais descansado do que sabendo “toda a verdade”… LOL

quinta-feira, novembro 16, 2006

Amor-Perfeito????

Era uma linda história de amor. Daquelas que nos fazem acreditar que o amor eterno existe mesmo. Daqueles casais que dava gosto ver, sempre tão em sintonia! A “Joana”, vamos chamar-lhe assim, é daquelas miúdas simples, tão simples que chega a ser desconcertante. Conhecia na escola primária e somos amigas até hoje.
No ciclo apaixonou-se por um colega e, durante anos lutou por ele que, estava mais interessado em ser padre e não despertara, ainda, para as raparigas. Mas numa festa da aldeia tudo mudou. Deu-se o Clic e ele não mais a largou. Tiveram de enfrentar preconceitos e comentários menos próprios, do género: vejam lá, a rapariga a desencaminhar o padre! É uma vergonha! Nos meios pequenos, tudo se sabe e tudo se comenta. Os pais destes jovens também não aceitaram a relação, mas eles continuaram a lutar.
Ele deixou o seminário e, aos 20 anos, casaram. Recordo-me que no casamento estavam presentes poucas pessoas, só mesmo os grandes amigos e que, mesmo assim, também fomos alvo de comentários. Coisa que nada me preocupou! Já lá vão 18 anos! Um amor-perfeito pensava eu. Todas a vezes que ia aldeia testemunhava toda aquela felicidade. Sempre bem dispostos e com o sorriso rasgado na cara. Sempre disponíveis para ouvirem os meus problemas e as minas ansiedades. Sempre com uma palavra sábia.
Até há dois dias, quando às três da manhã fui acordada por uma voz desesperada e que me desesperou, também. A Joana estava sem chão. Vagueava pelas ruas sem direcção. Não conseguia falar, chorava compulsivamente e eu não percebia o que dizia.

Lá consegui que falasse. “ O meu marido está com uma miúda de 19 anos”. Pensei, dado o adiantado da hora, estar a ter um pesadelo! Infelizmente não estava. A situação era bem real. Um turbilhão de pensamentos passou pela minha cabeça. Tentei encontrar justificações que fizessem sentido, mas nada! Fiquei estupefacta. O casal maravilha tinha desmoronado. Inacreditável. Amor-perfeito?

domingo, novembro 05, 2006

Sou segura...

Sou segura. Sou segura de mim, segura dos outros e segura do que tenho. Conheço-me e conheço aqueles a quem permito que me sejam íntimos. Sei o que esperar deles. Raramente me surpreendem. E por isso, sei que tenho um namorado fantástico, amigo, amante. Uma pessoa que me ama profundamente, que me quer e que está bem comigo. Eu sinto o mesmo, o que torna tudo mais fácil.
Conheço-o tão bem, que sei quem são as pessoas suas favoritas e quem não lhe entra na pele. Consigo até prevê-lo com mais ou menos margem de erro. Por isso, não é estranho que o meu namorado goste imenso de uma amiga minha… e goste menos de outras, claro.
Eu sei que ele adora aquela minha amiga. Ela tem tudo a ver com o que ele poderia amar. Não me foi nada complicado aceitar que ele queira saber dela muitas vezes. Sempre que eu falo das minhas amigas, segue-se a pergunta: “Como está a…?” Rio e respondo. Nada de anormal.
Mas gaja que é gaja não morre na praia…
A última vez que ele perguntou “Como está a..?” Eu disse-lhe: “Perguntas sempre por ela, já reparaste? Sempre. Não fazes isso com mais ninguém... Devo preocupar-me?” Disse-o com um ar divertido, claro. Só para ver no que dava.
Deu no que eu antecipei: Acha-lhe piada. A forma como mudou de conversa sem fazer ondas nem tentar explicações diz-me que os pensamentos ainda não são pecaminosos. Mas acha-lhe piada…
Três ou quatro dias depois, pergunta por outra amiga. Eu sabia que era para não perguntar pela mesma, por isso respondi com um ar displicente à espera do “resto”. E o resto chegou depois de um breve silêncio: “Viste? Não perguntei pela … . Só para tu não dizeres que eu pergunto sempre por ela…” Ao que eu respondi: “O facto de te lembrares de NÃO perguntar por ela também me diz qualquer coisa…” Rimos os dois.
É. Definitivamente, acha-lhe piada. Não demasiada. Acho que, de momento, não preciso de me preocupar. Só precisava de saber… Para continuar a não me surpreender…

quinta-feira, novembro 02, 2006

Gostei de te ver…

Não há coincidências. Será?
Após a nossa dolorosa ruptura (não queres que eu te lembre, pois não? Seria embaraçoso), pensei que nunca mais te veria porque os nossos hábitos, os nossos lugares, os nossos restaurantes, as nossas saídas são brutalmente opostos. Óptimo, pensei eu. Não terei de olhar para essa cara traiçoeira e fazendo jus a uma velha máxima - longe da vista, longe do coração, a ferida sarou sem deixar sequelas. Nunca mais pensei em ti. Até ontem.
Nunca saio para lanchar, mas ontem aconteceu. E lá estavas tu. Num sítio completamente inusitado, fora da tua área. Não deu para me desviar. Mesmo que desse, eu não o faria porque o teu rasgado sorriso foi desconcertante. não havia razão, agora, para não te cumprimentar!
Gostei de te ver! Gostei do teu elogio. É sempre bom ouvir que estou bonita! Gostei do teu ar. Até esse teu olhar guloso me deu um certo prazer!
Tentaste todo o teu charme mas, sabes, só resultou uma vez! Agora, já sei como és. Esse teu corpo fabuloso, já não me encanta! Esse teu velho truque de beijares de forma arrastada, para sentir o teu perfume e a tua respiração, já não faz sentido.Mesmo assim, gostei de te ver.